No “Saboreando as palavras” os
alunos do 6º ano ficam maravilhados com a surpresa culinária que a literatura
os proporcionará e acabam se tornando leitores “compulsivos”.
Com os 105 alunos, nas aulas da Sala de leitura do GEO de Santa Teresa, trabalho nesta prática a formação leitora pelo encantamento.
Assim, poemas de Casimiro de Abreu a João Cabral de Melo Neto são lidos.
Assim, poemas de Casimiro de Abreu a João Cabral de Melo Neto são lidos.
As palavras, portanto, dialogam e ganham sentido nos textos escolhidos para a formação leitora do grupo.
Alunos da turma 1604 lendo Meus oito anos de Casimiro de Abreu
Meus oito anos
Casimiro de Abreu
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
- Que os anos não trazem mais!
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
- Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
_ Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
Do despontar da existência!
_ Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! Dias da minha infância
Oh! Meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
_ Pés descalços, braços nus _
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!




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